A recepção crítica do romance de Isabela Figueiredo, desde o seu lançamento em 2015, tem-no assinalado enquanto parte de todo um processo literário e social em curso nas letras portuguesas (e para além delas ou mesmo das letras em si) mas ao mesmo tempo sublinhando as suas características singulares.
Tem havido, sob a forma de literatura, mas não apenas (estudos académicos, reportagens investigativas, considerações políticas até), uma re-emergência da voz dos ditos “retornados” – palavra contestada, controversa, muitas vezes pejorativa (muitos de nós reconhecerão algum caso de família), mas que contém em si toda a história sofrida que lhe pertence -, isto é, o repatriamento/migração forçada (a escolha das palavras sublinha de imediato um posicionamento, muitas vezes ideológico) de cerca de meio milhão de portugueses com o colapso do Império Colonial Português em 1974, e que veio criar processos de fricção na identidade própria não apenas dessas mesmas pessoas, mas de toda a ideia de “portugalidade”, revista desde então e ainda não resolvida hoje. (Mais)










